Pessoas poderosas veem o mundo de forma diferente

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“O mundo está passando por importantes transformações sociais causadas pelo impacto da globalização, da mudança ambiental mundial e pela crise econômica e financeira, resultando no aumento de desigualdades, pobreza extrema, exclusão e privação dos direitos humanos fundamentais.” – UNESCO

Vamos olhar sob a luz da Neurociência, como funcionam as relações de poder, que impactam na transformação da nossa sociedade.

A citação famosa diz que “o poder corrompe”.

Quando as pessoas se sentem poderosas, elas perdem algumas das funções mentais que formam a empatia.

Na população em geral, os neurocientistas descobriram que os cérebros das pessoas refletirão as atividades que elas veem outras pessoas fazendo. Quando você assiste um vídeo de alguém apertando uma bola de borracha, seu cérebro brilha com a atividade como se estivesse fazendo isso você mesmo. É uma resposta que os pesquisadores pensam ser um ingrediente para a empatia. Mas quando as pessoas se sentem poderosas, há muito menos espelhamento – sugerindo menos empatia, resultado também encontrado em pessoas que ganham mais dinheiro.

Claro, que não podemos generalizar.

Em um estudo de acompanhamento, os pesquisadores pediram aos participantes considerados poderosos que se concentrassem no seu próprio espelhamento e que não se tornassem mais empáticos de propósito.

Estes são resultados de laboratório, não estudos longitudinais de longo prazo. Mas ainda assim, o poder como desvantagem cognitiva é um tema que as mentes brilhantes têm alertado há alguns séculos: o primeiro-ministro britânico, William Pitt, observou que “o poder ilimitado é capaz de corromper as mentes daqueles que o possuem”, já em 1770.

Mais recentemente, outro britânico, o neurologista político David Owen foi longe para propor a “síndrome de Hubris” como um “transtorno de personalidade adquirida”. Ela se caracteriza por ver “o mundo como um lugar para autoglorificação através do uso do poder”, perdendo “contato com a realidade”; recorrendo à “inquietação, imprudência e ações impulsivas”. Owen iniciou uma organização para estudar esta síndrome, chamada Daedalus Trust, baseada em Ícaro, a figura grega que, ao voar muito perto do sol, tem suas asas de cera derretidas, fazendo com que ele se acidente e caia na terra.

A esposa de Winston Churchill, Clementine, escreveu-lhe dizendo que “notou uma deterioração na sua maneira”, refletida no desprezo que ele mostrou aos seus subordinados.

“O carisma, o encanto, a capacidade de inspirar, a persuasão, a amplitude da visão, a disposição para assumir riscos, as aspirações grandiosas e a autoconfiança ousada – essas qualidades são muitas vezes associadas à liderança bem-sucedida. No entanto, há outro lado para este perfil, pois essas mesmas qualidades podem ser marcadas por impetuosidade, por recusa de ouvir ou tomar conselhos e uma forma particular de incompetência quando a impulsividade, a imprudência e a falta de atenção frequente aos detalhes predominam. Isso pode resultar em liderança desastrosa e causar danos em grande escala.”. David Owen

Fontes:

Power Changes How the Brain Responds to Others
Journal of Experimental Psychology – American Psychological Association 2014
https://www.oveo.org/fichiers/power-changes-how-the-brain-responds-to-others.pdf
Hubris syndrome: An acquired personality disorder? A study of US Presidents and UK Prime Ministers over the last 100 years – David Owen Jonathan Davidson
Brain (2009) – Oxford Academy
Neuroscience Says That Powerful People See The World Differently – Drake Baer, 2017
Escritor do @thriveglobal dedicado aos temas sociais e de neurociência.


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