A integralidade do ser humano a desafiar os modelos de gestão de pessoas

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O Conarh 2016 nos presenteou com temáticas inovadoras, que trouxeram para o centro das discussões o ser humano na sua integralidade.

A magia da vida, que nos brinda com o caminho evolutivo, sempre adiante, rumo a novos patamares da potencialidade infinita que caracteriza os seres humanos, tem se imposto como algo inexorável.

Esse contexto, a começar pelo nome da nossa área de atuação, Recursos Humanos, nos indica, a meu ver, o caráter reducionista que tal definição encerra. Obviamente, ainda temos inúmeras organizações, inclusive com grande exposição no mercado, que atuam apenas e tão somente no âmbito da gestão dos recursos humanos, com enfoque técnico-funcional, processual, mais cartesiano, com modelos que classificam os indivíduos segundo nomenclaturas, padrões estáticos e modelos concebidos a partir de pressupostos limitantes, que analisam e consideram os indivíduos sob determinados prismas, via de regra, de forma isolada e parcial.

Na esteira da evolução humana, o século XXI tem desafiado as organizações a perceberem o indivíduo em suas diversas dimensões, além do óbvio, incorporando, nesse campo de análise, as várias facetas que constituem as pessoas, na sua existência plena.

Tive o privilégio de assistir a uma interessante palestra no Conarh 2016, sobre engajamento, proferida por Marcelo Cardoso, CEO global da Consultoria MetaIntegral Associates, na qual ele pondera que a “visão mecânica na gestão tem sido incapaz de perceber os aspectos tácitos, sutis, implícitos e subjetivos”. Nesse sentido, continua Marcelo, “sistemas de gestão de pessoas incluindo medidas de engajamento e clima, são parte dessa visão, tratando as pessoas como recursos”.


“O ciclo evolutivo da vida se impõe como algo orgânico, que transcende, que provoca, que desafia as organizações a repensarem suas práticas de gestão de pessoas, para incorporar os indivíduos na sua integralidade.”


O vertiginoso desenvolvimento tecnológico parece distanciar as práticas de gestão de pessoas do que realmente é humano. Um paradoxo, a meu ver, na medida em que temos, cada vez mais, pessoas distraídas, deprimidas, infelizes, distantes do propósito que move as organizações modernas, temerosas do vazio existencial que tenho percebido, nas minhas interações com pessoas de diversas ocupações, nível de educação formal e carreira profissional. Relações superficiais, que dificultam diálogos verdadeiros, que permitam o exercício da vulnerabilidade, algo tão humano.

Felizmente, o ciclo evolutivo da vida se impõe como algo orgânico, que transcende, que provoca, que desafia as organizações a repensarem suas práticas de gestão de pessoas, para incorporar os indivíduos na sua integralidade, a desenvolver programas que permitam a vulnerabilidade, os diá logos francos, a reconhecer as falhas, a admitir o medo, a permitir o silêncio, a ausência de respostas, a existência das dúvidas.

Tenho visto iniciativas inovadoras nessa direção, como o projeto de mindfulness (atenção plena, em tradução livre), desenvolvido pelo Deutsche Bank, a partir da equipe de Gestão de Pessoas do Brasil, liderada por sua diretora, Cristina Aiach Weiss. Esse case também foi apresentado no Conarh 2016, com grande sucesso.

A coragem do Deutsche Bank em considerar as pessoas nas suas dimensões mais sutis, existenciais, a individualidade do ser, é um sinal de alento, que nos incentiva a avançar na adoção de modelos mais inclusivos e humanos, por assim dizer, pelas equipes responsáveis por gestão de pessoas das organizações.

Tanto se fala em inovação, e isso requer inspiração das pessoas. “A inspiração está dentro de nós. Silencie para escutar.” Meditação, meu silêncio mais profundo.


“Meditação é a jornada do movimento para a quietude, do som ao silêncio.”
Sri Sri Ravi Shankar


Bem-vindos à era da integralidade do ser humano.

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