A liderança inclusiva e a criação de valor

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Quando ocupamos uma posição de liderança, normalmente somos levados a crer que é possível reduzir a complexidade do ser humano a meras fórmulas mágicas, equações cartesianas, mecanicistas. O ato cotidiano de ditar instruções, definir regras, fórmulas, comportamentos, nos empurra à ingênua expectativa de que as pessoas farão tudo exatamente como esquematizamos e prescrevemos.

No entanto, as condições de permanentes mudanças a que temos assistido neste início de século, que impactam as organizações, governos e a geopolítica, têm desafiado os paradigmas consagrados dos modelos de gestão e liderança. Velhas abordagens não têm dado conta dos problemas enfrentados pelos líderes organizacionais. Pior: têm agravado o sofrimento das pessoas.

Todos os dias, vemos notícias do fracasso de empresas importantes, novas formas de conflitos etnopolíticos, colapsos de países. A inexorável “lei da impermanência” faz-se presente e nos força a pensar em um novo modelo de liderança. Nesses novos tempos, as pessoas necessitam de boas referências e um sentido de esperança, um olhar diferente sobre as organizações que integre partes interdependentes e resgate a importância do ser humano em sua plenitude, incluindo todos, sem preconceitos ou juízo de valores.

Penso que só será possível alcançar esse cenário se atentarmos para cinco dimensões fundamentais para as novas lideranças:

  1. Capital humano: a gestão de talentos e indivíduos, o ser na sua individualidade e espaço único no cosmos.
  2. Capital social: a qualidade dos relacionamentos, dentro e fora das organizações, que viabiliza a entrega de produtos e serviços de forma ética e sustentável.
  3. Capital cultural: os valores e comportamentos compartilhados pela organização, que potencializam a inovação e a busca por resultados sustentáveis. Uma química de emoções que parte da inclusão de todos em suas respectivas individualidades, formando um caleidoscópio organizacional.
  4. Infraestrutura e capital financeiro: a gestão responsável do fluxo de caixa, dos sistemas produtivos, que priorizem a alocação inteligente dos recursos.
  5. Capital psicológico e espiritual: os seres humanos necessitam de inspiração, esperança, otimismo, resiliência, motivação interna.

Precisamos reconhecer isso diariamente.

Um sem-número de avanços tecnológicos tem impressionado as organizações: big data, computação na nuvem, tecnologias móveis etc. Tudo isso evidencia, ainda que de forma paradoxal, quão imperativa é a mudança, quão insustentáveis são os modelos de gestão atuais. Há um clamor por uma nova liderança, que inclua o ser humano em todas as suas dimensões e necessidades.

Por ser um otimista incorrigível, vejo o despertar de uma nova era, que coloca o ser humano no centro das atenções (assim como a perfeita harmonia dos seres vivos, da natureza, da diversidade de crenças, credos e opções). Uma nova era a exigir líderes que tenham a coragem de enfrentar dilemas éticos e criar modelos de negócios que priorizem o bem-estar e a felicidade das pessoas. Afinal, estamos condenados a ser felizes. E pessoas felizes geram melhores resultados para as organizações. Isso é criação de valor.


“Velhas abordagens não têm dado conta dos problemas enfrentados pelos líderes organizacionais. Pior: têm agravado o sofrimento das pessoas.”


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