O método Birkman® e a Jornada do Herói – Uma abordagem diferente com seu cliente

Através de etapas, personalizações mitológicas e alguns fundamentos junguianos, alguns conceitos da Jornada do Herói são associados ao método Birkman® para serem usados com o cliente.

Podes não saber, mas em breve serás escolhido para herói, para te juntares ao grupo seleto dos que buscam, os que sempre saíram para encarar o desconhecido. Incumbido de uma jornada que vai devolver a vida e a saúde à tua tribo.” – Campbell/Vogler

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Joseph Campbell, o famoso autor de diversos livros mitológicos, disse que os mitos são modelos práticos para percebermos como viver. Ao aproximá-lo de uma via menos abstrata, é possível trazer verdadeiras lições, em busca de si mesmo.

Este artigo pretende salientar algumas etapas e conceitos, referentes à jornada do herói, e tornar possível o diálogo com o método Birkman®. Através de etapas, personalizações mitológicas e alguns fundamentos junguianos.

Parte-se do pressuposto que o símbolo é a linguagem do inconsciente. Assim, mitos são narrativas simbólicas, que podem ser vividas e ressignificadas pelo inconsciente ou por vias conscientes.

Os mitos são capazes de unir os povos e consolidar o imaginário coletivo. Muitas vezes as histórias são semelhantes e apenas adaptadas às culturas e valores sociais. Há padrões, temas e personagens comuns. São narrativas que refletem questões universais.

Figura 1 Arquétipo: algo como um tipo recorrente de personagens e relações, como um herói que parte para a sua jornada.
Figura 1 Arquétipo: algo como um tipo recorrente de personagens e relações, como um herói que parte para a sua jornada.

 

Quando os mitos têm as mesmas características e padrões de comportamento, passam a ser considerados arquétipos.

Vale ressaltar, neste contexto, um pequeno glossário:

Rituais:

A função dos rituais é lançar-nos para fora, não levar-nos de volta ao lugar onde temos estado o tempo todo. (Campbell)

Ou seja, deixam morrer partes nossas para que outras possam nascer. E evoluir.

Arquétipo:

Arquétipo é “um padrão instintivo de comportamento que existe no inconsciente coletivo”.

  • Diferentes aspectos da mente humana
  • Potenciais comuns a todos os povos
  • Personalidade humana composta por estes personagens.
  • Por vezes denominados instintos

Assim que entramos no mundo dos contos de fadas e dos mitos, observamos que há tipos recorrentes de personagens e relações: heróis que partem em busca de alguma coisa, arautos que os chamam à aventura, homens e mulheres velhos e sábios que lhes dão certos dons mágicos, guardiães de limiar que parecem bloquear o seu caminho, companheiros de viagem que se transformam, mudam de forma e confundem os heróis, vilões nas sombras que tentam destruí-los, brincalhões que perturbam o status quo e trazem um alívio cômico.”. –  Cristopher Vogler.

Herói:

Para Campbell “Um herói é alguém que deu a vida a algo maior do que ele mesmo.”.

Segundo Vogler: “O herói mais admirável é o que nega o seu papel de herói o mais possível e que aceita responsabilizar-se apenas por si e mais ninguém”.

Podemos compreender o herói como modelo do ego humano. É um arquétipo que rege a estruturação do desenvolvimento e crescimento da personalidade. É um símbolo de um ego fortemente construído, porque teve ajuda do inconsciente. Caracteriza-se pela estruturação do desenvolvimento e crescimento da personalidade.

Há também um aspecto de patriarcal, preponderância e força da energia masculina, focada, discriminada e racional. Os heróis possuem características de semideuses. São humanos destacados da média, alvo de projeções negativas e positivas, pois a grande maioria não se atreve a responder ao chamado, por medo da projeção.

Os principais tipos de heróis são: guerreiro, pacifista, peregrino, tolo, errante, eremita, inventor, salvador, artista, lunático, amante, palhaço, rei, vítima, trabalhador, rebelde, aventureiro, covarde, santo, monstro.

Jornada:

A jornada, em primeiro lugar, consiste em aceitar uma aventura. Toda aventura tira do lugar onde estamos, levando-nos ao nosso verdadeiro lugar, pois é uma demanda do Self (eu superior). Dessa forma, leva-nos ao contato com partes desconhecidas de nós mesmos. É uma viagem que vai mudar a perspectiva que se tem de si mesmo e acerca do mundo.

Todos nós podemos vivenciar a Jornada do Herói, desde que seja uma escolha.

Vogler complementa: “A Jornada do Herói é um manual para a vida, um manual de instruções completo sobre a arte de ser humano.”.

É importante destacar que não sabemos aonde vamos. Inúmeras vezes, mesmo quando há certezas, os sentidos mudam completamente. Jamais, durante o caminho, vislumbra-se somente aquilo que se pensa ou quer. Por fim, é o ego que inicia e permite a partida, mas é o Self que completa a jornada.

Figura 1.2 “A aventura para a qual o herói está pronto é aquela que ele de fato realiza”.
Figura 1.2 “A aventura para a qual o herói está pronto é aquela que ele de fato realiza”.

Sergio Villas-Boas define bem: “Para Campbell, há duas espécies de heróis mitológicos. Alguns escolhem realizar certa empreitada, outros não. Em um tipo de aventura, o herói se prepara responsável e intencionalmente para realizar a tarefa. É uma escolha consciente, fruto de uma profunda reflexão interior. Há também as aventuras nas quais somos lançados de repente. Não era nossa intenção, mas de repente estamos na jornada. ‘A aventura para a qual o herói está pronto é aquela que ele de fato realiza’ […] Não é necessário ser um superdotado para realizar a aventura na qual se lançar ou ser lançado. Talvez o arquétipo do herói espreite em cada um de nós, sem que saibamos, sem que tenhamos consciência. […] Mas a coragem significa força para deixar o que é familiar e seguro.”.

O chamado:

O chamado é um grande apelo para a criatividade, para aquilo que nascemos para ser. É misterioso, mas ao mesmo tempo, muito próprio.

É estar na contramão do coletivo, das certezas, da vida projetada para a maioria dos seres humanos.

Dessa forma, todos nós somos chamados, mas nem todos aceitam o desafio. A estudiosa de Jung, Marie-Louise Von Franz, possui uma bela passagem acerca disso:

– Por que tão pouca gente segue a sua própria estrela? Por que é um fardo tão pesado? Porque seguir a própria estrela quer dizer isolamento, não saber para onde ir, ter que descobrir um caminho completamente novo para si mesmo em vez de simplesmente seguir o mesmo caminho pisado que todos usam.”

É por isso que o ser humano sempre teve uma tendência a projetar o aspecto único e a grandeza do seu ser interior sobre personalidades exteriores e a tornar-se seu servo, admirador e imitador. É muito mais fácil admirar uma grande personalidade ou tornar-se discípulo ou seguidor de um guru ou profeta religioso, ou admirador de uma grande personalidade oficial, ou então viver a vida a serviço de um general que você admira. Isso tudo é muito mais fácil do que seguir a própria estrela.”

Principais etapas da Jornada do Herói:

  1. Mundo comum
  2. O chamado à aventura
  3. Recusa do chamado
  4. Encontro com o mentor
  5. Travessia do primeiro limiar – Mundo especial
  6. Provas, testes, aliados e inimigos
  7. A caverna secreta
  8. A provação
  9. A recompensa – Volta ao mundo comum
  10. O retorno
  11. Ressurreição
  12. Retorno com o elixir
  13. A dádiva

Como este mito pode contribuir com a utilização do método Birkman®?

Para começar, recomenda-se que o qualificado, ao abordar pela primeira vez o seu cliente, possa relembrá-lo daquilo que o fazia feliz na mais tenra infância. Muitos dos padrões de comportamento que exploraremos com o relatório dizem respeito às nuances das primeiras de personalidade, quando não havia limites para sonhar.

Assim, ao identificar as cores e as necessidades, em cada uma das escalas, é possível ativar qual o tipo da Jornada de Herói que compunha o imaginário do cliente.

Figura 1.3 O começo: saindo do ponto em que se encontra.
Figura 1.3 O começo: saindo do ponto em que se encontra.

 

A primeira etapa é sair de onde você se encontra, seja qual for esse lugar. É preciso ir embora porque o ambiente é repressivo demais e você tem consciência de que está inquieto e ansioso para partir.” Joseph Campbell

Em segundo lugar, é preciso esclarecer como a vivência desse mito e o conhecimento das etapas podem auxiliar.

Assim, em processos de coaching, de autoconhecimento, de transição ou de escolha de carreira, o respondente pode listar quais etapas já foram ultrapassadas e quais são os possíveis aliados para completá-la.

Vamos detalhá-la a seguir.

1) Mundo comum: é o lugar de onde viemos. Os mundos especiais, por sua vez, tornam-se comuns com a ambientação. É aquele território estranho e desconhecido a familiar. A vida até está boa, mas já não preenche. Os modelos de vida não servem mais. Falta algo, em um relacionamento, em um trabalho, na vida em geral. Há tédio, precisa-se mudar e abraçar nova jornada.

2) O chamado à aventura: pode vir como um conflito, uma viagem, um problema. Há algo para ser conquistado, mudado, acrescentado, na vida ou na personalidade. Implica o sair da zona de conforto, porque é interno. Pode se apresentar como um dilema moral. Uma ferida que precisa ser curada.

3) Recusa do chamado: é o momento de avaliação: vou ou não vou. É provável que muitos se relembrem de ter recusado ao chamado, inúmeras vezes na vida. Por isso é importante pedir permissão à pessoa a qual se convida para vivenciar conscientemente a Jornada do Herói. Pode ser que esta etapa traga a memória do não comprometimento, no passado.

4) Encontro com o mentor: caracteriza pela primeira grande confirmação de estar no caminho certo. É o instante de ter a certeza de que a aventura pertence à pessoa. A figura do mentor pode vir na forma de um professor, um líder, um treinador, um coach. Há a compreensão da jornada da aprendizagem. A função do mentor é preparar o herói para o encontro com o desconhecido. Ele dá conselhos, orienta. Nesta altura o herói ganha provisões, conhecimento e confiança para superar o medo e começar a aventura.

5) Travessia do primeiro limiar: “neste ponto o herói ainda não sanou todas as dúvidas de que está fazendo a coisa certa e precisa abrir mão de algo que lhe é caro para iniciar uma nova fase da vida, que certamente o colocará no futuro num nível de aprendizado emocional, intelectual ou de vida muito mais amplo do que o que possui.” Em “A Jornada do Herói”, Mônica Martinez.

Temos, nesta altura, o herói comprometido e pronto para entrar em um mundo desconhecido, especial. Ele se torna responsável pelas consequências, a partir desse momento. Há o primeiro teste, em termos de desejo, vocação, vontade de continuar a jornada. O herói assume, através da fé, a entrada no desconhecido. Não há como voltar atrás.

6) Provas, testes, aliados, inimigos: forças negativas e positivas contribuem para que herói continue; ele passa por provações. Há diversos testes para o herói, principalmente em sua especialidade. É, ao mesmo tempo, uma preparação para o “exame final”. É um período de muito treino e ensinamentos.

A duração dessa fase depende de quão rápido o herói aprende as regras. Os aliados surgem para ajudar o herói a continuar, a superar testes e provações. Podem ser personagens que já foram ajudadas por ele, ou pessoas que apareceram no caminho. Os inimigos se apresentam como projeções e personificações que dificultam vida ao herói. Rival que compete diretamente com o herói. Primeiro embate com a sombra (que podemos transportar para os comportamentos no estresse, no método Birkman®). Assim, o herói conhece-se um pouco mais, acumula forças e recolhe informação.

7) A caverna secreta: o herói aproxima-se de situação/lugar perigoso, profundo, onde está o “tesouro”. Prepara-se, traça abordagem, planeja mentalmente os movimentos. Há muitas ilusões e distrações. Ele precisa se manter alerta para seguir. A humildade é primordial nessa fase. Pode cruzar com novos guardiães e estabelecer vínculo humanista.

O status quo pode viver dentro do herói: hábitos e neuroses precisam ser superados. Há o contato com o mundo dos mortos, a descida ao “inferno” do inconsciente. É o lugar que herói mais teme, o confronto com o monstro.

8) A provação: é o momento da grande batalha, o maior dos confrontos. É hora de enfrentar a própria sombra. O ego é inevitavelmente ameaçado. Há a possibilidade de enfrentar nossos medos, encarar nossos demônios. O herói não sabe se sairá vivo. As sombras são trazidas para a luz, ou seja, as partes não reconhecidas/rejeitadas se tornam conscientes. Essas são as características do vilão, um reflexo negativo dos desejos do herói, aumentados e distorcidos, seus grandes medos vividos à sua frente.

9) A recompensa: finalmente, após o renascimento do herói, é chegada a hora de ser recompensado. Alcançamos o tesouro, a realização, objetivo traçado no início: um novo conhecimento que nos transforma para sempre; um novo amor.

A Jornada do Herói implica abertura de consciência, conhecimento maior de nós, desconhecido no início. Contudo, a energia da batalha precisa de ser reposta. As forças devem ser recobertas. Pode resolver-se conflito com um parente; o sexo oposto. É uma reconciliação importante, é a integração do arquétipo da mudança. Vê-se o oposto de forma mais saudável, realista e equilibrada.

10) O retorno: as lições e recompensas da provação são celebradas e absorvidas. O herói, nesta altura tem de decidir entre fugir (recusando-se a voltar) ou iniciar a jornada de volta ao mundo comum. A volta representa a implementação das lições que aprendeu. No entanto há motivos para temer: será que a sabedoria e a magia da provação podem evaporar-se à luz do mundo comum?

No retorno, o herói lida com as consequências de ter enfrentado o inconsciente. Se não se reconciliou com seu oposto, este pode voltar enfurecido, para obrigar a lidar com isso.

Ao perceber que tem de voltar, que ainda há perigos, tentações e testes a lidar. É uma fase de readaptação. É um novo início na Jornada da Aprendizagem, a descoberta da incompetência consciente, em um outro nível de profundidade.

Não se pode abraçar todos os aspectos de si mesmo, de uma vez só. Há novos guardiães. O herói é testado outra vez: aprendeu, em plenitude, os ensinamentos transmitidos na Caverna? Há a reafirmação do conhecimento. Neuroses, falhas, hábitos, desejos ou vícios e adições desafiados podem recolher e voltar, antes de desaparecerem para sempre. Têm uma força própria poderosíssima e que ataca quando ameaçada.  O herói pode ter, finalmente, a ajuda da comunidade.

11) A ressurreição: um novo eu terá de ser criado, que reflete as melhores partes dos velhos eus e as lições aprendidas. São necessários rituais, para fazer retornar os heróis à sociedade enquanto membros pacíficos. Teste às novas capacidades do herói aplicadas no mundo real:

  • O herói estava sendo verdadeiro quanto ao desejo de mudar?
  • Será que vai ser vencido pela sombra? Ou pela neurose?

Há o derradeiro confronto com a sombra. Todavia, pode também ser confrontado com uma escolha. De acordo com defeitos revelados no início; de acordo com nova personalidade, lição aprendida, refletindo a pessoa em quem se tornou. Mas sempre, no final da jornada, existe um sacrifício. Abdicar de algo seu, um hábito, uma crença. Incorporando personagens da jornada: mentor, sombra, coadjuvantes, antagonistas…

As experiências do mundo especial podem evaporar-se se não incorporadas na vida de todos os dias. O tesouro são as mudanças internas e as aprendizagens.

12) Retorno com o elixir: o herói volta ao mundo comum, trazendo consigo o produto da jornada: conhecimento; ensinamento; troféu; prêmio; amor; relacionamento; consciência. É o momento de implementar mudanças na vida, usando lições para curar suas feridas.

13) A dádiva: “É preciso demonstrar aquilo que você foi recuperar, o poder irrealizado, não utilizado, em você. […] Resgatar a dádiva pode ser mais difícil do que descer às profundezas de si mesmo.” – Joseph Campbell

É o momento de se questionar: o conhecimento que foi trazido será útil à comunidade? Ele é capaz de curar a ferida social, ou será útil para a comunidade um dia?

O tesouro a partilhar pode ser: amor, liberdade, sabedoria, conhecimento de que existe um mundo especial e ao qual é possível sobreviver. Momento de distribuir, influenciando positivamente os outros: o tesouro é seu, mas deve ser compartilhado.

 

Algumas dicas para estabelecer as conexões com o método Birkman®:

  • Os principais mergulhos da jornada do herói estão nas necessidades e no comportamento de estresse.
  • Em primeiro lugar, é preciso checar qual é a pontuação do componente desafio. A Jornada do Herói de alguém que tenha um desafio baixo será totalmente distinta de quem tem um desafio alto.
  • Comunique-se de acordo com as cores de interesses e comportamento usual e também leve em conta o componente estima.
  • A estrutura e as mudanças dirão por quantas modificações no caminho o respondente é capaz de tolerar, sem entrar em estresse.
  • O componente de empatia pode dar o tom da jornada: se será algo mais impessoal ou com o foco também na sociedade.
  • A aceitação colocará a quantidade de pessoas que estarão nessa jornada.
  • A vantagem revelará o quanto o “herói” estará disposto a receber a ajuda dos mentores e os aprendizados dos guardiães.
  • A autoridade dirá como essas lições serão mais bem absorvidas.
  • A liberdade trará pistas de quão audaciosa pode ser esta jornada.
  • A atividade mostrará a velocidade que a pessoa está comprometida a dar para este exercício.
  • O pensamento também dará informações sobre o tempo da jornada.

Pode-se tratar qualquer atingimento de objetivos pela perspectiva da Jornada do Herói!

Referências bibliográficas:

  • CAMPBELL, J. O herói de mil faces. São Paulo: Pensamento, 1992.
  • GRINBERG, Luiz Paulo. Jung – O Homem Criativo. São Paulo: FTD, 1997.
  • LUDUVIG, Monica Martinez. “Jornada do Herói: A Estrutura Narrativa Mítica na Construção de Histórias de Vida em Jornalismo”. Tese de Doutorado. São Paulo: ECA/USP, 2002.
  • VOGLER, C. A Jornada do Escritor – Estruturas Míticas para Contadores de Histórias e Roteiristas. Rio de Janeiro: Ampersand, 1997.

Tema: Autoconhecimento, Birkman®.

Subtema: Uma associação dos conceitos da Jornada do Herói ao método Birkman® para uso diferenciado e lúdico do instrumento.

Objetivo: Autodesenvolvimento, Autoconhecimento, Desenvolvimento de Liderança, Avaliação Comportamental, Coaching, Coaching nas Empresas.

 

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