Cultura e ética: as novas fronteiras da vantagem competitiva

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Nunca as organizações necessitaram tanto da função de RH como nos últimos anos. E essa demanda não tem a ver apenas com questões meramente transacionais, mas diz respeito a um salto competitivo, que faça a organização ser realmente admirada por seus diversos stakeholders. Sim, muito já foi dito sobre a gestão de pessoas como uma importante fonte de vantagem competitiva para as empresas, quase sempre citando os conceitos do consagrado professor Michael Porter, mas minha proposta aqui é adotarmos uma perspectiva diferente, afinal, nos dias de hoje, não dá para pensar em sucesso empresarial sem falar de cultura e ética.

O que temos assistido, notadamente, a partir de 2008, quando eclodiu a crise de confiança no sistema bancário americano, é um teste duro de realidade a desafiar o mito da perenidade de grandes e consagradas organizações, seus métodos de gestão, modelos de governança e comportamento organizacional.

A meu ver, a vida, por outro lado, em seu esplendor e magia, nos dá a oportunidade da renovação. Um ciclo empresarial baseado na gestão transacional e burocrática de pessoas, na esperteza, na falta de valores e respeito pelas pessoas, pela natureza, nas práticas de corrupção e suborno, está com os dias contados. Eu acredito piamente na impermanência da vida, na inteligência superior que tudo molda e nos força a evoluir, expulsando o que é ruim em prol de algo melhor, mais condizente com as necessidades de elevados valores ético e moral.

Estamos nos aproximando da era das organizações guiadas por valores, que privilegiam as necessidades das pessoas de bem, o que elas valorizam, no que elas acreditam. Quando assim procedemos, jogamos luz sobre princípios éticos elevados, práticas mais dignas em prol de uma vida melhor para todas as pessoas de bem. Estamos vivendo a era da elevação da consciência humana e essa era clama por negócios cada vez mais éticos e sustentáveis.

Vejo agora, mais que nunca, uma excepcional oportunidade para que todos os meus colegas de profissão em Recursos Humanos se capacitem com conhecimento, atitude, e firmeza de propósitos para liderar a mudança maior, no sentido de construir e solidificar as novas fontes de vantagem competitiva: cultura e ética.

Será inexorável a emergência de uma gigantesca onda de transformação ética e moral no mundo. Melhor enfrentá-la e se apropriar de suas vantagens, como vemos surgir no horizonte novas empresas, com o propósito muito diferente das empresas que conhecemos. Destaco Amazon, Google, Starbucks, Whole Foods Market, para citar algumas.

Tenho estudado as ideias de Richard Barrett e com ele aprendi que:

  1. “O capital cultural é a nova fronteira da vantagem competitiva”
  2. “Organizações não se transformam, as pessoas é que o fazem”
  3. “A transformação organizacional começa com a transformação pessoal dos líderes”

Por onde começar? Conectando a cultura e a ética por meio do código de conduta. E isso deve ser liderado por Recursos Humanos. Essa ponte entre a ética e a cultura da organização é o que viabiliza a ética na prática. O século XXI será cada vez mais pautado por princípios éticos e tal regra aplica-se equitativamente a líderes e liderados, porque em ética não existe hierarquia.

Paremos de falar na tal gestão estratégica de RH e passemos a agir para transformar as organizações, orientados pela gestão baseada em valores e princípios éticos claros e de inquestionável compreensão, por todos os agentes que fazem parte da cadeia de valor da organização, ou seja, colaboradores, fornecedores, clientes, órgãos de governo, comunidades, etc.. A meu ver, aí reside a nova fonte de vantagem competitiva das organizações do século XXI.


“O século XXI será cada vez mais pautado por princípios éticos e tal regra aplica-se equitativamente a líderes e liderados, porque em ética não existe hierarquia.”


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