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Parte 1
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Crescer sob os cuidados do meu padrasto ESTJ era, às vezes, uma experiência confusa. Sendo um INTP com o pensamento introvertido dominante, minha função mais utilizada entrava muitas vezes em discordância com os métodos padronizados e amplos do pensamento extrovertido. A lógica do meu padrasto até que fazia certo sentido para mim (aprendi a confiar e a encontrar conforto em sua versatilidade e em seu senso comum), mas ele usava seu “pensamento” de modos que me pareciam um pouco diferentes.
Ele era mais aberto, evidenciando mais sua lógica, e muito habilidoso ao usá-la eficazmente em uma série de atividades mais amplas. Isso cria um tipo de efeito de “senso comum” que eu atribuo aos pensadores extrovertidos – parecia que não havia nada que meu padrasto não conseguisse fazer bem. Ele era adepto em lidar com os problemas do mundo exterior. Enquanto criança, e para o meu agrado, eu descobri que poderia ficar “no banco de trás” e ponderar o significado e o propósito das coisas, enquanto ele ajudava a mim e à minha família. Por outro lado, meu padrasto sempre parecia perguntar por que eu não era mais proativo com linha lógica. Ele sabia que eu era um pensador lógico, mas ele sempre sentiu que eu a “escondia” ou que eu na era tão comunicativo com ela.
Esse tipo de interação nos leva ao cerne da interrelação entre funções extrovertidas e introvertidas. A fim de entendermos melhor os outros seres humanos e facilitar o crescimento pessoal, vamos explorar alguns dos conceitos gerais que possam ajudar a aumentar os benefícios das nossas interações com os outros, ao mesmo tempo reduzindo os atritos resultantes dessas mesmas interações.

As funções extrovertidas, por definição, gostam de interagir e discutir sobre coisas diversas. Elas prosperam na interação com outros seres humanos. Diz-se muito que os extrovertidos “pensam alto”. Meu padrasto construía casas e eu o acompanhava às vezes para trabalhar. Ele dizia ao dirigir: “Primeiro, vamos à loja de ferramentas pegar algumas coisas, depois vamos a uma outra loja de equipamentos e alugar um compactador. Poderíamos alugar para um dia só, mas pode ser que a gente precise para amanhã também. Não tenho certeza se iremos terminar de nivelar o solo em menos de oito horas”.
Funções extrovertidas exemplificadas
Eu não percebia na hora, mas ao falar consigo mesmo, meu padrasto estava tendo ideias e planejando o seu dia e a sua semana. Se eu não dissesse nada, se eu não entrasse na discussão, ele ficava desejando que eu entrasse na discussão para ele validar sua lógica, então se eu não respondia, ele não recebia a validação externa que ele buscava para reforçar sua confiança em seus planos lógicos. Às vezes eu fazia uma simples pergunta como “Se eu cuidar de todo o resto hoje e deixar você no compactador, você acha que terminamos em oito horas?” Minha contribuição deu a ele algo sólido no qual ele pode se agarrar, como uma ancora, e de repente ele respondeu: “Sim, é o que faremos. Direi à loja que só iremos pagar o aluguel de um dia”. Nossas interações aconteciam muitas vezes dessa forma. É como se, pensando alto, meu padrasto tivesse descoberto 95% da equação, precisando apenas de alguém para dizer “Sim, isso vai funcionar. Tô dentro, vamos nessa!”
Funções introvertidas exemplificadas
Como pensador introvertido, eu também tinha esses diálogos comigo mesmo. Eu penso as coisas de forma muito parecida a do meu padrasto, mas o meu diálogo é mais interno. Se eu preciso de ajuda ou validação das minhas ideias, eu posso até pedir por uma opinião externa, ou simplesmente colocar minhas ideias no papel e ver se algo está faltando. Tem sido minha observação e experiência que os introvertidos prosperam na solidão. Isso não significa que as opiniões externas não sirvam. Os inputs externos certamente ajudam, mas o introvertido quer, em muitas vezes, desenvolver seu plano inicial ou seu pensamento mais profundo sozinho. Ele irá, depois, avaliar seus planos e seu pensamento com o mundo exterior.
Comparando e contrastando
As funções extrovertidas podem ser descritas como sendo mais rápidas, mais versáteis, mais voltadas ao “senso comum” (podendo ser bom ou ruim), mais alinhadas com as práticas e procedimentos aceitos, entre outras coisas.
As funções introvertidas podem ser descritas como sendo mais lentas, metódicas, mais pessoais (nem sempre elas se encaixam em um “sistema” objetivo), oferece insights únicos, altamente focados na natureza.
As funções extrovertidas constroem as coisas do zero, enquanto as funções introvertidas se aprofundam a fim de ganhar um maior entendimento do assunto.
Assim, podemos ver as funções extrovertidas como uma árvore, enquanto as funções introvertidas são a raiz dessa árvore.
Em minhas conversas com meu padrasto, ele construía uma casa (em voz alta), de forma objetiva, expondo ao mundo exterior, enquanto eu ponderava internamente como tudo aquilo ia funcionar. Outra forma de colocar isso é que ele, com seu Te, estava mais interessado em construir uma casa de forma concreta, enquanto eu, um Ti, estava mais interessado em entender o processo de construção de uma casa (a teoria). Voltando atrás, eu não era a melhor pessoa a fazer parte de uma equipe de construção, pois eu estava mais engajado em pensar e menos em fazer. Eu não me sentia confortável em fazer algo até que me dessem tempo o suficiente para observar, analisar, mexer e compreender total e completamente aquilo em questão. Essa e a natureza lenta, metódica e investigativa das funções introvertidas.
Parte 2
De forma geral, podemos dizer que as funções extrovertidas e introvertidas podem ser tanto boas quanto ruins. No lado positivo da coisa, as funções extrovertidas podem ajudar as introvertidas a ver a vida de forma mais objetiva. Quando vemos uma invenção meio louca que parece ser uma boa ideia, mas que “não funcionaria no mundo real”, ela é geralmente uma invenção de um Ti – uma ideia altamente personalizada que não se “encaixa” de fato na vida das pessoas.
Thomas Edison, um provável ENTP, provavelmente teve uma ideia objetiva (Ne) para encontrar um melhor meio de utilizar a luz, e assim tentou trabalhar os detalhes de como fazer isso de uma forma lógica personalizada e introvertida (Ti). Como todos nós sabemos, ele fracassou diversas vezes até conseguir. Esta é uma boa representação de como um Ti funciona: ele formula a teoria e continua a refiná-la – às vezes sem descansar – até bolar uma solução perfeita que venha a funcionar no mundo exterior.
Einstein, um provável INTP, é outro bom exemplo. Ao trabalhar em um escritório de patentes, ele continuou a refinar suas teorias até chegar a um ponto de relevância significativo para o mundo exterior. Isso tudo é para dizer que as funções extrovertidas podem ajudar as funções introvertidas trazendo um senso de objetividade à questão; a função extrovertida pode avaliar objetivamente e dizer “Olha, essa é uma ideia ótima na teoria, mas não vai funcionar lá fora. Você vai ter que mexer um pouco aqui e ali, e eu tenho algumas ideias para você”.
Eu também vivenciei situações em que meu Ne foi capaz de fazer os Ni pensarem. Recentemente, um INTJ me disse: “Você acha que essas duas pessoas se amam mesmo? Eu penso que elas não têm esse amor todo um pelo outro”. Eu respondi: “Na verdade, eu observei o oposto. Para mim, parece óbvio que eles se amam muito, eu acho que eles estão apenas passando por um problema e estão pensando nisso agora. Esses problemas distanciaram eles, e eu acho que é isso que está formando a sua impressão. Não é que falte amor, pois dá pra ver que eles estão lutando para fazer as coisas funcionarem. É simplesmente a distância que faz você interpretar como falta de amor ou afeto”. A observação do Ni era carregada de insights sobre o fato de que algo estava errado, mas o meu Ne objetivo o ajudou a colocar as coisas em ordem no mundo real.
Por outro lado, as funções extrovertidas podem irritar, romper ou meio que “sequestrar” as funções introvertidas. Eu tenho um amigo ISTJ que teve sérios problemas em seu trabalho antigo por conta de fazer parte de uma cultura bem extrovertida. Seus pares e seu supervisor o pressionavam para ser mais descontraído, a se aproximar das pessoas e a participar de discussões relacionadas ou não ao trabalho. Ele se sentia pressionado a ser alguém que ele não era, até chegar a um ponto em que passou a ser isolado, lutando uma batalha apenas para conquistar a aprovação dos seus colegas. Ele é um tremendo contador quando tem tempo, espaço e a solidão necessária para entrar nos detalhes do seu trabalho. Quando pressionado para extroverter mais do que ele se sente confortável, ele percebe que tanto a qualidade como a quantidade do seu trabalho sofrem. A pressão implícita ou explícita para “extroverter” o fez deixar um cargo muito bom para assumir uma posição que pagava bem menos, apenas para se manter são e ter a liberdade de ser introvertido como ele é.
Da mesma forma, eu já tive discussões com NFPs (Fi) que dizem que EFJs (Fe) meio que colocam neles uma pressão indesejada para “performar”, para expressar seu sentimento, ou apenas para compartilhar, uma atitude expressiva natural do sentimento extrovertido. Eu (Ti) me sinto semelhante na presença de ETJs (Te). Eu tenho a impressão de que eles querem que eu seja mais explícito ou explanatório com meus pensamentos. Eu não sou contrário a uma discussão, ou a uma comunicação construtiva.
As funções introvertidas não foram necessariamente feitas para se expressarem como as funções extrovertidas. Conforme mencionado antes, eles tentam compreender algo mais do que discutir de forma aberta.
Mesmo sem tentar, as funções extrovertidas podem exercer uma pressão indevida nas introvertidas, pois elas demandam maior abertura; elas querem brincar no parquinho que é o mundo real, enquanto as funções introvertidas estão ocupadas demais buscando informações mais profundas.

Quando eu vivencio essa pressão, me pego pensando “Eu não quero fazer parte do seu sistema. Eu quero ficar aqui e examinar a raiz a fim de compreender todo o funcionamento do projeto atual. Como eu posso ter foco e imersão completos com as poucas coisas que me interessam se você continua insistindo para eu sair da caixa e me misturar?”
Em uma nota similar, como um Ne auxiliar, eu me vejo querendo que os Nis “venham brincar mais” comigo. Eu sei que eles têm um Ni intrigante por baixo da superfície, e eu quero que eles explorem suas ideias e conceitos comigo, mas eu preciso respeitar o fato de que esse é um processo muito mais interno para eles. Eles compartilham suas perspectivas quando (e se) eles estiverem prontos para isso.
Benefícios e obstáculos para o “E” que vêm da interação com o “I”
Por outro lado, as funções introvertidas podem ajudar as extrovertidas a compreenderem o que acontece por baixo da superfície. Por exemplo, eu ouvi uma vez um ENTJ (Te) agradecendo um INTP (Ti) por ajudá-lo a ver quando (e como) ele tomou decisões ruins como dono de negócio. O ENTJ é tão bom em “fazer” e “construir” que, às vezes, é importante ter um input de alguém de fora que não esteja tão focado na produtividade, porém concentrado em entender os processos que acontecem por trás e como eles afetam o todo.
Eu também me lembro de momentos em que eu diria ao meu padrasto: “Eu não sei se você percebeu, mas no processo de ser superprodutivo no trabalho, você está agindo de forma errada com um dos seus empregados. Ele está pensando em sair e ir para outro lugar porque você tá pegando pensado com ele. Se você der um pouco de liberdade, ele pode ficar mais feliz e produtivo em longo prazo.” Em vez de focar em construir a casa, eu fui capaz de usar o meu Ti para me aprofundar no negócio e ver por que algumas coisas estavam confusas e que meu padrasto apreciava meu input. Da mesma forma, eu sei que os Nis podem oferecer perspectivas profundas, benéficas e únicas para os Nes. Eu suspeito de que os Fis também oferecem benefícios aos Fes, e os Sis para os Ses. Os Fis podem ajudar os Tes na tomada de decisão, assim como os Tis podem ajudar os Fes.
Pelo lado ruim, as funções extrovertidas podem enxergar as introvertidas como sendo improdutivas, subjetivas, funcionando como lobos solitários no vácuo, inclusive considerando desimportantes seus insights em relação ao todo. Às vezes, um extrovertido pode dizer: “É, até que faz sentido o que aquela pessoa falou, mas isso só acontece em 1% dos casos, então eu nem vou me preocupar muito com isso. Eu preciso me concentrar mesmo com os outros 99%. Eu não vou ajustar todo um sistema para agradar esse 1% que quer um tratamento especial”.
É isso que as funções introvertidas fazem – elas rapidamente veem todas as inconsistências que não se encaixam muito bem no sistema. Como resultado, as funções extrovertidas podem ver as introvertidas como detalhistas que prejudicam a produtividade. Os introvertidos podem aprender a ser mais seletivos ao destacar raras exceções ou falhas, e isso é útil para eles compreenderem que “agora” pode não ser a melhor hora para desligar a máquina por causa de um problema insignificante. Às vezes, pelo bem da produtividade, a máquina precisa continuar a trabalhar, e o problema pode ser solucionado durante o próximo ciclo de produtividade.
Os extrovertidos fazem certo ao ouvir o que os introvertidos têm a dizer, e a considerar que o sistema pode melhorar, mesmo que seja só um pouco.
Concluindo
No fim, ambas as funções (e as pessoas em geral) podem ajudar e complementar umas as outras nas áreas do trabalho e das relações. Estas mesmas funções, e as pessoas, também podem provocar uns aos outros de forma negativa, de modo que as relações se rompam totalmente e parem de existir. Isso pode causar muita dor e luta nas nossas vidas, então vale muito tentar compreender a forma como o outro funciona no mundo.
Deixe-me usar um exemplo para ilustrar isso. Houve um momento na minha vida em que eu frequentemente batia de frente com minha mãe ESFJ. Durante feriados ou reuniões de família, ela costumava planejar tudo de forma muito estruturada, e se as pessoas se atrasassem para o evento, ela se abalava.. Quando chegava a hora das fotos, ela juntava todo mundo, tentando posicionar cada um de uma determinada forma e uma determinada pose. Só depois de estudar as tipologias, eu descobri que ela apenas estava sendo “ela mesma” – usando seu Fe para trazer harmonia, ordem e diversão (espero) para o grupo. Ela tinha um desejo muito real, genuíno de fazer com que todos se divertissem e que tudo estivesse perfeito. Seus métodos acabavam com meu Ti. As coisas pareciam forçadas e eu inconscientemente me rebelava contra sua abordagem estrutura. Como um Ti dominante, eu preciso sentir que tenho espaço para ser um indivíduo e tomar minhas próprias decisões – como eu faço pose para uma foto, a comida que eu experimento ou até mesmo se eu quero ir a um evento.
Depois de uma maior compreensão das tipologias, eu aprendi que minha mãe não estava tentando ser mandona, controladora ou qualquer coisa assim. Ela simplesmente estava usando as ferramentas que tinha à disposição para criar o efeito que ela queria (a harmonia do grupo). E eu nunca (conscientemente) “tentei” me indignar ou romper a harmonia da família. Em vez disso, eu apenas usava as ferramentas que eu tinha para criar o efeito que eu queria (a escolha individual).

Podemos chegar à conclusão de que as pessoas “fazem o melhor que podem”. E, sabendo que não podemos mudar as pessoas, nossa única opção é olhar no espelho e perguntar como podemos entender melhor nós mesmos e os outros.
Nesta jornada, esperamos ganhar mais insights sobre as almas dos outros – quem são, o que desejam, o que os irrita, o que os faz rir, o que os faz sentir amados. Se alcançarmos isso, estaremos no caminho certo para conseguir relações frutíferas.
Fonte: https://www.themyersbriggs.com/en-US
Traduzido e revisado por Fellipelli Consultoria Organizacional.
Tema: MBTI®
Subtema: Como os introvertidos e extrovertidos interagem e como tirar o melhor desta relação.
Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Coaching, Team Building.
