⋆ Conteúdo exclusivo para qualificados Neuroleadership® ⋆
[member_first_name]
Por Denise Manfredi, psicóloga e Consultora da Fellipelli
O ser humano cria um escudo muitas vezes invisível quando lida com o que é diferente de si mesmo. Esse escudo é formado por experiências passadas, crenças, valores e tudo o que foi assimilado pelo indivíduo que o tenha protegido de alguma ameaça ou que o tenha recompensado.
Todos esses aspectos estão armazenados em nossa memória. O termo memória refere-se ao processo mediante o qual adquirimos, formamos, conservamos e evocamos informações. A fase de aquisição é chamada de “aprendizagem”, enquanto chamamos a evocação de “lembrança” ou de “expressão”. Resultado: óbvio que só lembramos aquilo que aprendemos.
Podemos dizer aqui que também somos o que resolvemos esquecer. Portanto, somos aquilo que recordamos e aquilo que decidimos esquecer.
O nosso cérebro é capaz de “lembrar” quais são as memórias que não queremos evocar e realiza um esforço muitas vezes inconsciente para fazê-lo.

O que tudo isso leva ao tema DIVERSIDADE e INCLUSÃO?
O passado – nossas memórias, nossos esquecimentos voluntários (e involuntários) – não apenas conta quem somos, mas também permite nos projetar no futuro, isto é, nos diz quem poderemos vir a ser. Nossa memória constitui nosso acervo pessoal de dados. A identidade dos povos provém das memórias que são comuns a todos os seus membros. Cada povo tem uma identidade individual que depende da história de cada um deles.
Quando nos encontramos em um meio que possui um conjunto coletivo de memórias é mais fácil construirmos laços afetivos, do que com um grupo de memórias distintas das nossas. Para um brasileiro em Tóquio, no Japão, geralmente será mais fácil estabelecer amizade com um Chileno do que com um nativo do Japão.
Um ponto importante é saber que a nossa memória pessoal e coletiva descarta as coisas triviais e, às vezes, incorpora fatos irreais. Vamos incorporando ao longo dos anos mentiras e variações que geralmente enriquecem as nossas lembranças. Sabemos que, muitas vezes, por exemplo, pessoas que foram em um momento meros acompanhantes adquirem uma tonalidade heroica. Outro fato: somos benignos e piedosos quando lembramos de pessoas já falecidas, apesar de considerá-las canalhas quando eram vivas.
Acontece que lembrança não é igual à realidade. Existe um processo de tradução entre a realidade das experiências e a formação da memória respectiva; e outro entre esta e a correspondente evocação. As emoções, o contexto e a combinação de ambos influenciam a aquisição e a evocação. Ao converterem a realidade em um complexo código de sinais elétricos e bioquímicos, os neurônios realizam uma tradução. Os nossos sentidos e a nossa consciência podem interpretar essa tradução como pertencentes ao mundo real.
Vamos então simplificar trazendo um exemplo real:
O trânsito na Índia é caótico, quase não existem sinalizações no asfalto, nem faixas de pedestre, semáforos ou placas. E mesmo assim, os acidentes são bem raros, o que nos faz acreditar que em meio àquela bagunça existe certa lógica.”
Como será que esse padrão pode refletir na forma de ser dessas pessoas ao se organizarem? Como seria, para os mais estruturados e analíticos, trabalhar ao lado de um Indiano? Ele seria desorganizado ou teria uma organização diferente?
Na Índia, as pessoas utilizam as mãos para comer, na verdade a mão direita, porque a esquerda é a utilizada no banheiro para sua higiene. Inclusive nas grandes cidades como Nova Déli e Mumbai é extremamente comum ver pessoas comendo com as mãos arroz e molhos.
Não se vê casais de namorados se beijando ou andando de mãos dadas nas ruas. Trata-se de uma proibição cultural. Mas é bastante comum ver amigos homens de mãos dadas. Como você os perceberia?
Podemos mentalmente aprender sobre todas essas diferenças. O desafio é integrar pessoas com esse histórico bio-psicoemocional no nosso meio e, por outro lado, também ajudá-lo nessa adaptação. E, pense na sua adaptação, caso tenha que viver na Índia.
Tudo que gera desconforto e ameaça fará com que a amígdala cerebral seja acionada para a “fuga ou o ataque”.
Não é fácil incluir o que é distinto de nós. Para isso, é importante olhar para o outro como um ser que se formou através de suas memórias individuais e coletivas.
Interagir, aprender e, através do diálogo empático, talvez criar um “terceiro” jeito de ser. Ou seja, o que eu posso flexibilizar? E você? Como podemos conviver juntos?
A EMPATIA é poderosa para o entendimento de contextos e desafios. Trata-se da capacidade humana de entender o outro, e principalmente, suas dores e necessidades.
No mundo global atual, para que de fato você tenha sucesso na DIVERSIDADE… INCLUA!!
Vá para onde as pessoas estão. Aprenda ao máximo sobre o universo do outro. Converse. Observe-os como elas fazem as suas rotinas. Isso trará muitas informações sobre a sua história, habilidades e tudo o mais.
Ouça de forma apreciativa, o que é e não é dito. Abra mão de seus julgamentos e procure entender as razões que levaram a pessoa dizer algo da forma que disse ou feito algo de uma forma diferente da sua.
A empatia também é estratégica para a DIVERSIDADE e INCLUSÃO. Identificamos informações emocionais, mentais e físicas, ou seja, padrões de comportamento, e passamos a compreender os desvios de acordo com a nossa história e experiências.
Assim, encontraremos sentido nos dados e passamos a gerar insights que nos ajudam nas interações sociais com pessoas de qualquer lugar do planeta.
Basta querer e aprender para incluir!
Referência bibliográfica
LENT, R. et al., Neurociência da mente e do comportamento, Guanabara Koogan, RJ, 2018.
Tema: Neurociência, NLI®
Subtema: O uso da Neurociência para a compreensão da diversidade e inclusão do indivíduo.
Objetivo: Coaching, NeuroCoaching, Desenvolvimento Organizacional, Team Building, Cultura Organizacional, Autodesenvolvimento.
