⋆ Conteúdo exclusivo para qualificados Neuroleadership® ⋆
Observe, sinta, reconheça e manifeste suas necessidades
[member_first_name]
Como é possível viver em um mundo onde as pessoas se sentem felizes com o sofrimento alheio? Por que é tão fácil julgar aqueles que consideramos maus? O que há por trás dos filmes em que a luta e a jornada do herói são marcadas pela dor e a punição?
Marshall Rosenberg, autor do livro: Comunicação Não Violenta parte desses questionamentos para nos oferecer uma visão altamente inovadora e revolucionária sobre nossos relacionamentos interpessoais.
Felizmente, há seres humanos que se regojizam em testemunhar e propiciar o bem-estar dos demais. Nem todos se fortalecem com a crença de que se deve punir ou maltratar pessoas diferentes de nós. Esta linha de pensamento foi o ponto de partida de Marshall Rosenberg, para desenvolver um raciocínio pautado na transcendência da dualidade.
O que diferencia, pois, as pessoas que têm uma postura violenta? O que mobiliza as pessoas que possuem uma postura compassiva frente aos seus iguais?
Há mais de 8.000 anos temos a comunicação violenta reinando em nossos destinos. As pessoas que se julgavam superiores às outras eram capazes de subjugá-las. Isto ocorreu em nome de Deus, em todas as religiões. A linguagem, então, utilizada pelas pessoas que se diziam superiores, era uma linguagem dual, feita para dominar os outros seres “inferiores”.
Esta pessoa é boa ou má? Normal ou anormal? O sistema dual nos coloca nessas caixas, impedindo que naveguemos por ambos os lados. A comunicação violenta é validada pela culpa e punição, pela recompensa e vergonha.
Para modificar esse tipo de mentalidade, é preciso que tenhamos claras quais são nossas reais necessidades, em vez de utilizarmos o autoengano como justificativa para a dominação. Quando eu reconheço as minhas necessidades e as necessidades dos outros, sem julgamentos de valor ou perspectivas de superioridade, eu posso me comunicar de forma não violenta e incrementar o relacionamento com o próximo.
Rosenberg trabalhou com duas tribos na Nigéria, para exemplificar o poder da comunicação não violenta. Segundo ele, se as necessidades não atendidas de ambos os lados fossem descobertas, seria muito simples estabelecer um canal totalmente improvável de comunicação entre as duas.
Uma das tribos declarava que a outra era composta de assassinos. A outra, por sua vez, proferia que a primeira a havia dominado nos últimos 80 anos. Rosenberg não se contentou com nenhum dos dizeres e foi investigar quais necessidades havia por trás daquelas palavras.
Podemos traduzir que a frase: “Eles são todos assassinos” traz à luz uma necessidade de segurança não atendida? E como é possível transformar o inimigo com empatia? Para que as necessidades sejam afloradas, contudo, eu precisarei estar vulnerável. Somos todos desprovidos dessa virtude. Há muita dificuldade em assumir-se frágil aos olhos alheios. Mas essa é a porta para sermos mais verdadeiros conosco e, assim, dispostos a comunicar e compreender as nossas necessidades com mais afinco, segundo Rosenberg,
Os erros também são endemonizados em nossa sociedade. O ego raramente se opõe a tentar destruir a autoestima, toda vez que uma necessidade não é atendida por nós e nos julgamos incapazes ou fracassados naquela dimensão da existência.
Ora, se o erro for tratado como fonte de aprendizado acerca de nossas necessidades, automaticamente a culpa desaparece e dá lugar a um novo mapa mental no cérebro.
De acordo com a CNV, temos um novo método de enxergar também as doenças mentais. Por exemplo, a depressão atinge as pessoas em níveis dantescos não por causa de desequilíbrio químico cerebral, mas pela forma com a qual são treinadas a pensar.
Quando uma necessidade não é atendida, a resposta cerebral mais automática não se conecta à verdade. Somos ensinados a nos culpar, nos enganar. A educação tradicional é totalmente focada na autopunição como resultado de um comportamento não vinculado ao preenchimento de necessidades.
Todavia, não é apenas através da nitidez das necessidades que se dá a nova forma de comunicação. É preciso olhar o outro com empatia e compreender nossas diferenças em termos de necessidade. Rosenberg, então, questiona-nos:
“Quando foi a última vez que você enriqueceu a vida de alguém? Quais foram as necessidades que atendi acerca desse ser humano?”
Embora presenciemos as maiores discrepâncias sociais, afetivas e morais, há uma evolução que se traduz em velocidade, nos dias de hoje. A mudança da consciência está cada vez mais acelerada. Pensadores de todo o globo estão conectados pelo poder da empatia. Temos recursos de sobra para destruir a miséria, a fome, inúmeras doenças.
Neurociência Aplicada à Comunicação Não Violenta
Aprendemos, com a Neurociência, que nossos cérebros gostam de automatizar os processos, de forma a gastar o mínimo de energia possível. Repetimos comportamentos porque é mais fácil navegar por um mapa mental que já está consolidado pelo cérebro. Dessa forma, é claro que a mudança da consciência é dolorosa e pode levar algum tempo. Contudo, uma vez construído um mapa mental novo, mais eficaz para a felicidade do indivíduo, ele pode se tornar automático também.
Os estudos de Neurociência se baseiam na ampliação de comportamentos que atendam às necessidades das pessoas. A CNV, por sua vez, propõe quatro pilares fundamentais:
- Observação
- Identificação dos sentimentos envolvidos
- Reconhecimento das necessidades
- Saber pedir o que se deseja para atender às necessidades
A Neurociência, ao reconhecer a linguagem violenta como algo a ser transcendido, uma vez que temos a consciência dessa condição, é uma das maiores aliadas à CNV. Como seres humanos, podemos ser naturalmente violentos, mas há a potencialidade da não violência, por meio da construção de novos mapas mentais, tão poderosa quanto.
Apesar de termos o julgamento como inato, eu posso escolher a qualidade de meus julgamentos. Se eles estiverem no nível da dualidade, a culpa, o remorso e a esquiva à responsabilidade pautarão a esmagadora maioria de meus pensamentos.
Contudo, se começo a observar meus julgamentos automáticos, identificar quais as necessidades que não estão sendo atendidas e escolher mudá-los, minha vida tende a ser muito mais feliz.
Em segundo lugar, é preciso diferenciar um sentimento de um não sentimento. Quando eu coloco o outro como protagonista daquilo que sinto, eu deixo de ter o poder de modificar minha existência. Ou seja, se em vez de me sentir traído por alguém eu perceber a tristeza que me domina, posso escolher mudar o meu viés.
Segundo Rosenberg, o campo das necessidades é comum a todos os seres humanos. Eu nasço com a capacidade de estabelecer empatia, facilmente. Para isso, é preciso que eu me desarme das amarras e ilusões das minhas fortalezas. A empatia se manifesta nas minhas fragilidades.
Enfim, se nos despirmos de nossos preconceitos e armadilhas de autoengano, nossa capacidade de pedir ao outro o que verdadeiramente desejamos aumenta.
E, na grande maioria das vezes, o que desejamos profundamente é um contato real com as demais pessoas…
Tema: Neurociência e CNV
Subtema: A Neurociência como ferramenta para promover a mudança consciente na forma de se comunicar.
Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Coaching, NeuroLeadership, Coaching nas Empresas, Team Building, Cultura Organizacional.
