
Como nossas preferências afetam nosso desenvolvimento
Desenvolver uma função envolve a diferenciação consciente das outras, exercitando-a e se tornando mais capacitado com o uso dela.
Jung acreditava que todas as funções são amplamente inconscientes e pouco desenvolvidas nos bebês. À medida que crescemos e nos desenvolvemos, as diferentes funções se desenvolvem.
Os momentos deste desenvolvimento têm sido objeto de estudos até hoje.
Geralmente, a função dominante se desenvolve até os 7 anos de idade, a auxiliar, por volta dos 20 anos, a terciária entre os 30 e 40 anos e a função inferior, ou quarta função, na considerada meia idade ou depois disso.
A função auxiliar é aquela na qual o indivíduo encontra seu apoio. Esta função encontra-se acima do limiar do inconsciente, pois é constantemente utilizada para complementar a função principal.
Já a função inferior, devido ao fato de ser relegada ao inconsciente, quando surge, vem à consciência carregada por conteúdos inconscientes, portanto, aparecerá numa forma mais intensa. A função inferior exige mais de nós, é nossa parte mais desconhecida (Sonia Lunardon, 2015).
Por exemplo, se minha função principal for o Pensamento Introvertido, minha função inferior será Sentimento Extrovertido (100% oposto).
Então, na primeira fase da vida falamos sobre o desenvolvimento das predisposições inatas identificadas pelo Tipo, em que a criança se adapta ao mundo externo. Como a principal tarefa nesta fase é acomodar o mundo externo, como mencionou Jung, temos que crescer no meio em que fomos criados. Precisamos nos perguntar sobre esta fase: Quem ou o que me deu suporte no desenvolvimento do meu Tipo? Que forças podem ter desencorajado ou suprimido esse desenvolvimento? Onde estou no meu Tipo de desenvolvimento agora?
Quando fazemos a transição da primeira para a segunda metade da nossa vida, temos certa relutância em deixar ir o que nos serviu até agora, para avançarmos em direção a algo novo.
Há perguntas que surgem: O que estou perdendo? Qual é o significado da minha vida? Pode haver sentimentos confusos, perguntas sem respostas, arrependimentos e necessidade de mudar para algo diferente.
Segundo Jung, há excelentes ganhos na segunda metade da vida. Há certamente desafios físicos que talvez não estivessem lá antes, mas “voltar para casa” é um compromisso enriquecedor.
Nesta fase, há mudança de prioridades. O importante para nos desenvolvermos, será examinar e começar a usar com consciência as funções que não são dominantes de cada Tipo.
À medida que desenvolvemos nosso Tipo, ampliamos a forma de ver o mundo e nossos comportamentos.
Quando uma função nunca se permite desenvolver plenamente, experimentamos estresse e frustração.
À medida que desenvolvemos nossas funções terciárias e inferiores menos preferidas, temos mais flexibilidade para utilizar nosso potencial, por meio de comportamentos disponíveis que se abrem ainda mais para nós. Mas as funções dominantes e auxiliares serão sempre as principais funções de nossa personalidade consciente.
“Cabe a cada pessoa reconhecer suas verdadeiras preferências.”- Isabel Briggs Myers
Fontes:
– Lifelong Type Development – The Myers & Briggs Foundation – http://www.myersbriggs.org
– Reaching for your potential through type development – OPP, Maio, 2012
– Tipos Psicológicos na Educação – Casa da Spyller – Psicologia Junguiana, Março, 2015
– C.G.JUNG – Tipos Psicológicos – Editora Vozes – 1991 – Petrópolis – RJ

