
Amplamente utilizado como o modelo mais eficaz para melhorar a performance dos colaboradores nas organizações, o coaching se espalhou no mundo em diversas formas e práticas distintas. Contudo, vale sempre recorrermos à etimologia para compreender seus significados mais profundos e suas raízes ancestrais.
A nomenclatura coaching possui a origem em uma analogia com o meio de transporte coche, referente ao período medieval francês. Em outras vertentes, a palavra está vinculada ao reconhecimento de universitários aos seus mestres, como forma de homenagear as estratégias e caminhos que lhes foram apresentados para a obtenção de sucesso acadêmico.
Foi no início do século XX que as organizações se apropriaram do conceito para auxiliar as pessoas a melhorarem seus desempenhos no contexto do trabalho. Primeiro, de maneira informal, cabia ao gestor estimular o desenvolvimento de seus funcionários, como um tutor que liderava por meio de suas atitudes.
Na década de 1960, os primeiros estudos científicos foram publicados, para analisar os dados empíricos obtidos até então e validar a prática do coaching como um benefício verdadeiro à vida profissional de quem o havia presenciado.
Em 1990, o coaching se modula em um processo com dois agentes fundamentais: o coachee (membro da organização que se submeterá à vivência) e o coach (indivíduo que conduzirá a jornada e que possui um olhar externo à organização).
A inserção da Neurociência na prática de coaching
Os pesquisadores de Neurociência não assinalam um consenso para o surgimento deste campo de estudo cerebral. Todavia, as marcas indeléveis desta ciência encontram-se na década de 1970, quando foi concebida a primeira máquina de tomografia, que só se tornaria popular a partir de 1990, devido aos altos custos do aparelho.
Embora tenha sido beneficiada por contribuições da Biologia – responsável pelo mapeamento da anatomia do sistema nervoso; e da Psicologia, ao unir a mente e o corpo, a Neurociência modula a interação do funcionamento cerebral aos comportamentos humanos, incrementando as áreas de atuação que as disciplinas anteriores haviam feito separadamente.
Neurociência aplicada ao coaching
Sendo assim, podemos afirmar que o casamento entre a Neurociência e o processo de coaching não dura mais do que vinte anos. David Rock, criador da Neuroliderança, é, hoje, um dos principais nomes nessa área. Ensinar como o cérebro funciona, para ele, é essencial na melhoria da qualidade de vida, em ambientes corporativos.
As quatro grandes contribuições sobre o funcionamento cerebral para a criação de mudanças efetivas, segundo David Rock, consistem em:
1) Vivenciar o efeito da novidade: ao experimentar a novidade, nossos níveis de dopamina se elevam rapidamente, possibilitando uma sensação de bem-estar automática, modificando o foco de atenção que nos impulsiona a agir;
2) Aquilo que é tangível é mais fácil de visualizar: quando percebemos os aspectos biológicos do cérebro e, ao explicitar o seu funcionamento, temos uma resistência muito menor e nos tornamos abertos a acreditar nos benefícios que a mudança pode trazer;
3) As grandes ideias nascem quando os sinais sutis são percebidos: do ponto de vista cerebral, os insights são estimulados pela conexão de ideias que aparentemente não possuem ligação. Os insights, entretanto, precisam de treino para se consolidarem em realidade e isto nos traz algumas surpresas sobre o cérebro humano:
a. A limitação de nosso córtex pré-frontal, que focaliza a atenção, é imensa perante os demais pensamentos. Portanto, a qualidade de nosso pensar, durante o dia, é restrita e precisa ser elaborada para produzir efetividade.
b. Nós não somos acostumados a falar sobre as emoções. Dessa forma, ao nomear o que estamos sentindo, reduzimos significantemente o impacto que as emoções causam em nossos cérebros.
c. A sociabilização é fundamental. Uma grande parte do cérebro é dedicada à parte social, uma vez que jamais existiríamos sem uma sociedade. Nenhum homem é uma ilha.
d. A atenção pode modificar o cérebro. Quando percebemos onde colocamos nossa energia psíquica, a mudança pode ser genuína.
4) A compreensão do funcionamento cerebral traz mais escolhas. A Neurociência, aplicada ao coaching, traz um aspecto indispensável à transformação: o poder de sermos protagonistas de nossas histórias.
Desde uma simples analogia com um meio de transporte até a clareza advinda das pesquisas neurocientíficas, há uma única certeza: a tecnologia, atrelada às relações humanas, traz contribuições imprescindíveis à evolução da espécie.
Mariana Portela é pós-graduada em Ciências da Cultura -Comunicação e Cultura da Universidade de Lisboa. Formada em Psicologia, com especialização em Fenomenologia Existencial e Psicodrama pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É qualificadora das ferramentas MBTI® Step I e II (Myers Briggs Type Indicator®), Birkman Método (Multidimensional Assessment), TMP® (Profile Management Team), TKI™ (Thomas-Kilmann Instrumento modo de conflito™) e Firo B (Orientação relação interpessoal Fundamental), e formada em Coaching baseado na Neurociência pela RCS (Sistemas de Resultados de Treinamento). Atua no desenvolvimento e aplicação de habilidades em autoconhecimento, desenho de palestras e workshops relacionados à gestão de pessoas, avaliação e diagnóstico de profissionais e empresas, bem como orientação, planejamento e aconselhamento de carreira. Executa a build-up, revisão e tradução dos materiais relacionados com as ferramentas em que tem perícia.
