
Recursos Humanos é uma área que padece dos modismos. Diariamente, um sem-número de citações, modelos, pesquisas, etc. são postados no LinkedIn, em uma profusão de mensagens de vários matizes. Mas o que há de verdadeiramente substancial nisso tudo?
Ao longo de minha carreira profissional, tenho me deparado com circunstâncias nas quais algumas empresas e líderes corporativos proferem “verdades absolutas” sobre o perfil ideal do profissional de Recursos Humanos. Assim, novas exigências são criadas, novos paradigmas são inventados, mas sem que haja eco algum na dura realidade vivida pelas organizações.
Por perfil, sempre procurei fugir do lugar-comum, dos modismos e me concentrar no trabalho duro, persistente. Com o devido cuidado de não generalizar ou desprover esta análise de um substrato factual, noto que, em épocas de maior retração econômica, como nesta recessão que temos enfrentado, os requisitos e exigências para a contratação de profissionais de RH parecem exagerados e dissociados da real necessidade das organizações, que têm tido de enfrentar cada vez mais desafios relacionados a transformações, reestruturações e desempenho organizacional.
Nessa esteira, a exigência que mais tem chamado a minha atenção é a de que o profissional de RH obrigatoriamente tem de ser daquela indústria, entendendo-se aqui como “indústria” o segmento dentro do qual a empresa atua. Ora, muitos profissionais qualificados nem sequer têm a chance de conversar com algumas empresas apenas porque “não são da indústria”. Em minha visão, esse é um preconceito do qual as empresas devem se livrar o mais rápido possível.
O motivo para que eu questione tal exigência reside no simples fato de que a gestão de pessoas requer, sobretudo, profissionais que gostem de gente, que dominem o conhecimento sobre a natureza humana, que demonstrem maturidade para lidar com conflitos e dilemas, que dominem os subsistemas que compõem a cadeia de valor da função de Recursos Humanos e que, acima de tudo, consigam vincular a gestão de pessoas aos objetivos do negócio.
“Empresas mais dependentes de inovação ou que devam passar por um processo de transformação complexa podem ser muito beneficiadas com a colaboração de profissionais de RH que tragam experiências de segmentos diversificados.”
Como executivo de organizações de grande destaque, atuei, por convicção, em diversos segmentos de mercado. Essa trajetória se mostrou muito eficaz para a minha formação como executivo e líder. Em diversas ocasiões, essa visão mais eclética, por assim dizer, foi importante nas questões organizacionais bem complexas. Notadamente, empresas mais dependentes de inovação ou que devam passar por um processo de transformação complexa podem ser muito beneficiadas com a colaboração de profissionais de RH que tragam experiências de segmentos diversificados. Isso se dá tanto pelo arejamento de ideias quanto pela independência intelectual em formular perguntas com o potencial de indicar caminhos que as tornem melhores e mais competitivas.
Tenho absoluta convicção na gestão organizacional que prioriza o coração e a mente das pessoas. Para isso, mais importante que ser da indústria ou do segmento é priorizar profissionais que sejam capazes de mobilizar as equipes em prol de um propósito que tenha significado e que engaje as pessoas. Afinal, entender de gente nunca foi tão prioritário para o sucesso dos empreendimentos.
AMÉRICO FIGUEIREDO
COO Fellipelli
