Afinal, os Tipos Psicológicos são natos ou moldados pelo ambiente? Ou ambos?

tipos moldados pelo ambiente

Uma excelente pergunta que com certeza já tivemos que responder muitas vezes, mas talvez nem sempre sentimos que podemos ter todos os argumentos amarrados e a confiança de saber claramente qual é a resposta. Aqui compartilhamos alguns argumentos mais recentes que deverão ajuda-los a fortalecer os conhecimentos e a confiança e também esperamos que sirva de provocação para continuar se interessando pelo tema e tudo que existe ao respeito na vasta literatura.

Para começar a contemplar a questão sobre natureza ou ambiente, devemos antes resolver o entendimento fundamental sobre a definição de Tipos Psicológicos. Para alguns Tipo é uma espécie de modelo filosófico que diz sobre comportamentos desejados, enquanto o fato de se identificar com um Tipo preenche uma necessidade emocional, diríamos que uma forma de reafirmar ou confirma quem queremos ser.

Esta visão pode servir especialmente se temos algum desafio em nosso passado; portanto nesse conceito, Tipo tem tudo a ver com ambiente; mais precisamente, o apego ao ambiente. Essa substituição pode, em muitos casos, ser interpretada como uma ajuda emocional ou justificativa. Podemos ter perdido uma conexão emocional, por exemplo, ou uma que talvez nunca tivemos.

Em uma perspectiva puramente cientifica, Tipo tem tudo a ver com genes inatos que influenciam como os circuitos e redes cerebrais respondem e se conectam.

Podemos ver alguns genes que identificam F versus T, e “Si” Introversão-Sensação versus “Se” Extroversão-Sensação. Podemos utilizar ferramentas sofisticadas como fMRI (Ressonância Magnética funcional) e observar as múltiplas variações que ainda não foram identificadas nos genes, mas as pesquisas estão muito avançadas e simplesmente é uma questão de tempo.

Portanto desde uma perspectiva cientifica, nascemos com uma tendência inata para ser de um Tipo em particular. Nossas combinações de genes nos colocam numa trajetória neuropsicológica predeterminada e à medida que respondemos ao nosso ambiente da forma como esses genes nos guiam, aos poucos vamos nos transformando em aqueles que sempre fomos destinados a ser.

Os genes predizem e projetam as curvas que formam as raízes de nossa personalidade e talentos. Nossa infância prediz nossa habilidade para nos desenvolver e nos ajustar dentro de nossas curvas. Somos 60% influenciados pelos genes, e 30% influenciados pela infância; (10% outros motivos). Se conhecemos o perfil genético de alguém com algum conhecimento de sua infância, com certeza hoje em dia, podemos predizer sua personalidade com mais facilidade. Aqui é onde encontraremos muitas bifurcações nas opiniões sobre vantagens ou desvantagens dos diferentes Tipos.

Mas sabemos que mais importante do que ter genes de qualquer Tipo é ter uma infância que ajude a desenvolver a inteligência emocional, que apure a aprendizagem do pensamento critico, que estimule a criatividade e que ofereça liberdade ao “Self”.

Existem variáveis nessas proporções de combinação de natureza versus ambiente. Entre as pesquisas, inclusive podemos citar aquelas feitas com estudos com gêmeos por Bouchard em Minesota, Estados Unidos, nas quais mostram alguns casos de 50%/50%, mas o professor Bouchard teve um comentário interessante: gêmeos idênticos que tinham sido separados vão se parecendo cada vez mais com o passar do tempo. A teoria dele explica que como crianças, o diferente ambiente tem maior influencia já que o pais e as escolas controlam de alguma forma as coisas as quais uma criança está exposta.

A medida que envelhecemos, adquirimos mais liberdade nas escolhas das pessoas com quem nos associamos assim como as atividades que desenvolvemos. Se nosso Tipo é significativamente diferente daquele de nossa família, encontramos pessoas com as quais teremos maior compatibilidade.
Bouchard diz “a Natureza procura o Ambiente compatível”.

As vezes os pais, se os filhos são dos mesmos Tipos, acham que eles escolhem amigos e ambientes iguais aqueles que eles escolheriam. Mas a outra possibilidade é que a criança NÃO seja “naipe do mesmo baralho”, então os pais podem ter mais dificuldades para desenvolver as preferencias de seus filhos. Mesmo assim, eles deverão continuar a incentivar os filhos a crescerem além das limitações dos Tipos.

Para resumir, se consideramos a regra dos 60/30/10 por enquanto, seria melhor ficarmos com a versão abreviada de 30/10 pela natureza e pelos pais/família versus pares/nível sócio econômico, como defendem autores como Steven Pinker e Judith Harris.

Referências:
Harris, J. The Nature Assumption: why children turn out the way they DO, more (1998) – No Two Alike: Human Nature and Human Individuality (2006)
Pinker, S. How the mind Works (1997). The better angels of our nature (2011).
Johnson, W., Krueger, R. F., Bouchard, T.J., & McGue, M. (2002) The Personalities of Twins: Just Ordinary Folks. Twin Research, 5, 125-131.
Briggs Myers, I., Introdução à Teoria dos Tipos Psicológicos.


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