Os impactos positivos da “atenção plena”, prática promissora e digna de mais estudos que comprovem sua eficácia a quem a adotou em sua rotina.
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Os anos 60 foram marcados no Ocidente pelo advento da contracultura, em que a juventude resolveu se rebelar contra as estruturas tradicionais. Uma das instituições mais questionadas foi a religião, majoritariamente cristã no Ocidente até os dias atuais, e, em resposta ao tradicionalismo cristão, práticas espirituais orientais como a ioga e a meditação ganharam popularidade. Com o passar do tempo, ambas as práticas foram secularizadas, desvinculando o caráter religioso da prática física e mental.
Escolas de ioga estão em todos os lugares, tornando-se uma forma de exercitar o corpo e a concentração. A meditação passou a ser recomendada para reduzir estresse e fazer com que os indivíduos se atentassem mais ao seu interior e exterior.

Dessa transformação nasce a prática da “atenção plena”, popularmente conhecida pelo termo em inglês, mindfulness, que consiste em voltar a atenção para o próprio corpo, evitando pensamentos intrusivos. Vários programas surgiram para diversos fins, como a terapia psicológica e a redução do estresse (MBSR). A prática também é um assunto de interesse dos cientistas, que investigam seus impactos em diversos aspectos da vida humana, existindo até mesmo uma revista científica voltada para estudos da prática denominada Mindfulness.
Mas quais são esses impactos?
O professor da University of Massachussets Medical School, Jon Kabat-Zinn, criou ao final da década de 1970 o programa de redução de estresse baseado no método, conhecido pela sigla em inglês MBSR, voltado ao tratamento de pacientes. Hoje, o programa é um sucesso, tendo sido concluído por mais de 24 mil indivíduos, com artigos publicados demonstrando efeitos positivos em ansiedade, desordens gastrointestinais, performance cognitiva, estresse, etc.
Um estudo publicado por Mrazek et al. em 2013 utiliza uma forma adaptada em 2 semanas do MBSR (que originalmente possui 8 semanas de duração) para investigar os efeitos na capacidade da memória de trabalho e desempenho no GRE (exame utilizado nos Estados Unidos para ingresso em programas de pós-graduação).
Os resultados demonstraram que o programa de mindfulness melhorou a capacidade da memória de trabalho e o desempenho no critério de leitura e compreensão do GRE, ao passo que reduziu a frequência de divagações.

O ato de devanear pode ser um empecilho em muitas tarefas, pois desloca a atenção do indivíduo: essa tendência atrapalha a retenção de informações de vídeo-aulas, sugerindo a prática de mindfulness como uma maneira de reduzir esse efeito (Loh, Tan, & Lim, 2016). Contudo, nem sempre as divagações são indesejadas, pois elas podem facilitar a incubação criativa, que consiste no período em que o indivíduo se afasta de alguma tarefa que exige criatividade para se engajar em outros pensamentos e atividades e, ao retornar, novas ideias surgem mais facilmente, mesmo que não se tenha pensado ativamente nelas durante o afastamento (Baird et al., 2012).
Além disso, a prática de mindfulness levou ao aumento da densidade de matéria cinzenta em diversas regiões, como giro do cíngulo posterior, cerebelo, junção têmpora-parietal, tronco encefálico e, principalmente, hipocampo esquerdo (Hölzel et al., 2011), estruturas envolvidas em diversas funções cognitivas, motoras e sensoriais.
Uma das formas de investigação científica é a meta-análise, definida pela análise dos resultados estatísticos de todas as publicações de um determinado assunto, verificando se os resultados para um dado fenômeno são consistentes e integrando o conhecimento do tópico.
Uma meta-análise publicada em 2014 por Zoogman et al. mostrou um pequeno efeito na melhora do desempenho de jovens estudantes e um efeito moderado na melhora de sintomas de psicopatologias nesses grupos, sem efeitos colaterais. Outra meta-análise, de 2013 (Khoury et al, 2013) demonstrou que terapias baseadas em mindfulness foram efetivas no tratamento de problemas psicológicos, principalmente estresse, ansiedade e depressão. Uma revisão sistemática publicada em 2018 por cientistas brasileiras mostrou que a meditação foi capaz de reduzir as respostas negativas a estímulos negativos (Magalhaes, Oliveira, Pereira, & Menezes, 2018).
Contudo, há uma meta-análise publica em 2014 por Zenner et al. Em que se verificou a eficácia pequena ou moderada em escolas, mas alerta que, em poucos estudos, os grupos foram distribuídos de forma aleatória, o que aumenta as chances de uma alocação enviesada, como por exemplo colocar crianças menos agitadas para a prática no grupo.
Com isso, conclui-se que mindfulness é uma prática muito promissora para a melhora da saúde mental e desempenho de funções cognitivas.
Sua simplicidade e ausência de riscos e efeitos colaterais demonstradas até então conferem à prática um importante papel de intervenção suplementar em tratamentos terapêuticos, medicamentosos e até mesmo para a qualidade de vida de indivíduos saudáveis.
Porém, é importante reconhecer que a pesquisa científica sobre a prática é ainda escassa e são necessários mais estudos bem desenhados para confirmar os seus efeitos; o que se observou até então é natural de campos científicos jovens, uma vez que os protocolos ainda não sejam bem estabelecidos, ainda mais se tratando de um assunto que exige uma abordagem interdisciplinar.
Tema: Neurociência, NLI®
Subtema: O quanto a prática de mindfulness beneficia o indivíduo.
Objetivo: Autoconhecimento, Autodesenvolvimento, Coaching, Coaching nas Empresas.
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